Farrapo de gaita

Não pegues nesse teu trapo
de cores feias, imundas,
dizes enquanto me inundas
a vista co teu farrapo

de gaita de todo a cem,
com manchas de sangue seco
que não enxergas, babeco,
cegado polo desdém.

Bandeira obscena e violenta
dizes que é a que penduro,
o teu é coração puro,
de pacifismo rebenta

as caras dos infelizes
que no erro persistimos,
obstinados, insistimos,
no coração cicatrizes.

Dizes que é cousa de tribos
dar importância a estas cores
enquanto cantas amores
com berros próprios de chibos.

Achas que sou diferente,
achas que sou perigoso,
achas-me rude e teimoso
e ignoras algo evidente.

O teu país nega o meu,
vê subversivo o distinto,
continuamente usa o cinto,
nega os direitos a réu.

Não é por força que irás
dar conquistado a nação
que aguenta no seu rincão
intrigas de Barrabás.

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~ por Além da Veiga em Domingo, 26 Agosto 2012.

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