Comigo ou contra ti

•Domingo, 26 Agosto 2012 • Deixe um Comentário

O dia que ganhares o combate
não ouses acenar sequer lamento,
levanta a cara, assim, abarlavento,
ou glória à pátria ou morte, assim te mate,
comigo ou contra ti, não há debate.
Se não queres sofrer, tens o direito
de nunca ter vitória de proveito,
de nunca mais portares o loureiro,
de nunca mais chegares o primeiro.
Não sei se já percebes o conceito…

Cruzares essa meta engalanado
com cores que não sejam as corretas
e tanto tem que jures, que prometas
que foi um erro e ‘tavas enganado,
o teu destino está determinado.
Não sei o que pretendes demonstrar,
ninguém disse que cobres por pensar.
Mens sana só in corpore in sepulto.
Será que pensas que por ser um vulto
já podes pôr a língua a passear.

Não mordas esta mão que te alimenta
se sabes bem o que é que te convém,
não perdas siso, não sejas refém
da gente que a cabeça nos esquenta,
não te convertas numa ferramenta,
não zangues os de a riba, os do poder.
Explica a que vem isso de querer
cantar um hino que não seja este.
Explica quando foi que te perdeste,
explica quando começaste a ler.

Farrapo de gaita

•Domingo, 26 Agosto 2012 • Deixe um Comentário

Não pegues nesse teu trapo
de cores feias, imundas,
dizes enquanto me inundas
a vista co teu farrapo

de gaita de todo a cem,
com manchas de sangue seco
que não enxergas, babeco,
cegado polo desdém.

Bandeira obscena e violenta
dizes que é a que penduro,
o teu é coração puro,
de pacifismo rebenta

as caras dos infelizes
que no erro persistimos,
obstinados, insistimos,
no coração cicatrizes.

Dizes que é cousa de tribos
dar importância a estas cores
enquanto cantas amores
com berros próprios de chibos.

Achas que sou diferente,
achas que sou perigoso,
achas-me rude e teimoso
e ignoras algo evidente.

O teu país nega o meu,
vê subversivo o distinto,
continuamente usa o cinto,
nega os direitos a réu.

Não é por força que irás
dar conquistado a nação
que aguenta no seu rincão
intrigas de Barrabás.

De morte matada

•Sábado, 25 Agosto 2012 • Deixe um Comentário

Bembrive, Berã, Arcos da Condesa,
todas elas no borde do barranco,
Morgadães, Chenlo, também Camposancos,
sua democracia, ou morta ou presa.

Paços de Reis minhota, ou Queimadelos,
morrerão de vez, de morte matada,
Vila Sobroso chorará penada
a ruína da paróquia com desvelos.

Representantes desta autoanemia
calam como afogados em poder,
a isso de ser direto não dão creto.

Pensando-lhes melhor, mais não diria
a quem rege para se enriquecer,
não saia a emenda pior que este soneto.

Diz-que

•Terça-feira, 9 Agosto 2011 • Deixe um Comentário

Diz-que está em coma desde há quinze dias,
diz-que está a piques de ir com o seu deus,
diz-que está a piques de dizer adeus
sem responder por tantas tropelias.

Não julgado polos assassinatos,
crimes que cometeu impunemente.
Tanto tem que contra o país atente
se nem são necessários alegatos.

Não morra, dom Manuel, não morra ainda,
que tem muito polo que responder.
Mentres, nós aguardamos a sua vinda.

Não morra, dom Manuel, ainda não morra,
que tem muito inda que reconhecer
incluso se a justiça tem pachorra…

Animalândia

•Segunda-feira, 8 Agosto 2011 • Deixe um Comentário

Não sei já se chamar animaladas,
pecando de injusto cos animais,
os múltiplos desastres de touradas
que ainda não fizerom ilegais.

Incluso patrocinam os de Gádis
as touradas na Crunha, porque sim.
Vivamos como galegos de Cádis,
devem de pensar. Estes são-che assim.

Não dou imaginado que razão
pode levar alguém a desfrutar
do assassinato cruel, da sem-razão
de ver um animal agoniar.

Não nos converterão em espanhóis
fazendo que assistamos à tortura.
Castelão dixit lástima de bois.
Nunca serão nem arte nem cultura.

Irás

•Domingo, 7 Agosto 2011 • Deixe um Comentário

Irás dizendo que não há direito,
irás clamando ao céu em estrangeiro,
irás chamando falta de respeito
limpar um pouco, quitar este cheiro

tão podre, tão pretérito imperfeito,
presente injusto, tão espanholeiro,
tão nosso, tão próprio, tão nosso jeito
de fazer do país um cagadeiro.

Da bota do opressor lamber a merda,
negarmos que somos uma nação.
O último em sair, que apague o gás.

Uma ignomínia perda-sobre-perda,
roubo a mão armada de sem-razão.
Devolvam-nos o Paço de Meirás!

Ilusão

•Segunda-feira, 25 Julho 2011 • 2 comentários

Que dim os valorosos
deste povo doente
mas de espírito ardente
nas ruas do lugar?

Que dim os generosos
no dia assinalado
com grito compassado
nas ruas do meu lar?

Hoje estão convencidos
de sermos todos um
mas não há já nenhum
que veja, em outro, irmão.

Hoje, povo vencido
do próprio nunca dono.
Despertarás do sono,
Nação de Breogão?